quarta-feira

Pra que servem as escolinhas infantis?

Tenho passado tempo demais longe das panelas. Na verdade tenho feito um freela que tem tomado muito do meu ânimo. Trabalhinho massante, horas e horas fazendo pesquisa e digitando.

Mas o assunto não é esse. Ontem busquei meu filho na escolinha e ele tinha uma marca enorme de mordida no braço. Na semana passada ele queixou-se de dor nas costas por que um menino que é o dobro dele (aliás, o dobro de todos) se jogou em cima dele. Na semana retrasada foi uma unhada no nariz e na anterior uma mordida na testa.
Nós mudamos de cidade, de casa. Soma-se à isso uma escola nova, colegas novos, profe nova e eu não sei até que ponto essa cabeça pequeninha está assimilando isso tudo. Por que se o menino que mordeu tivesse levado um empurrão de volta, tudo bem, eles estão se entendendo, o que me preocupa é justamente não haver uma resposta. É ele não estar se defendendo.
Conversei com a professora que me respondeu muito calmamente que meninos são assim, tem brincadeiras brutas. Então ontem, a minha paciência foi pra p... que pariu e eu mandei um mail pra pedagoga, contando tudo em pormenores, explicando as minhas preocupações e pedindo uma horinha pra conversar pessoalmente com ela.

É a segunda vez que eu tenho problema com escolinhas, e eu fico pensando se sou uma mãe muito retrógrada. Lá em Porto Alegre, a escolinha do Vicente fez uma cartela numérica pra ser vendida, cada número custava 1,00, e a mãe que vendesse mais números teria o "grande prazer" de ver seu filho coroado o menino mais bonito da escola. Achei um absurdo. Reclamei, perguntei que porcaria de valores eles queriam passar pras crianças e tive que aguentar uma monitora de cara feia comigo por muitos meses. E fora essa houveram muitas, muitas outras chateações.

Que tarefinha difícil essa de educar. Eu não vou ser o tipo de mãe que vai ter um chilique se o filho tirar uma nota baixa, isso faz parte da vida. Aliás, uma vez eu li um texto da Rosely Sayão em que ela dizia que era muito maluca essa obsessão dos pais pelos estudos dos filhos: de repente o filho ser bom na escola era um atestado de que eles eram bons pais. E então as crianças tinham obrigação de ser brilhantes na escola pra que os pais pudessem se sentir pais brilhantes. Quero sim que ele seja um bom aluno, mas perto de outras coisas, isso é pequeno, é consequência. O que eu quero do fundo do meu coração, é que o meu filho seja uma pessoa do bem, que ele tenha bons valores, que goste das pessoas pelo que elas são. Seja seguro. Se saiba amado. Veja em mim um porto seguro, alguém pra quem ele sempre possa correr e encontrar um abraço, depois de uma grande conquista ou da maior das cagadas.

Semana passada uma moça conversava comigo sobre o quanto ela achava bacana as crianças poderem iniciar na primeira série com 5 anos e eu respondi: pra que tu vais colocar uma criança de 5 anos na primeira série? Deixa ele brincar mais um pouco. Ele vai acabar a escola com 15 anos. Tu queres jogar teu filho num vestibular com com essa idade? Quem sabe o que quer fazer por toda uma vida com 15 anos?

E eu acho que nessa busca por alunos brilhantes, por grandes resultados no vestibular, acabam se esquecendo outras coisas. Meu filho já sabe as vogais (com 2 anos), já conta até 10, é educadíssimo: fala por favor, obrigado, com licença... Tem pilhas e pilhas de livrinhos, só assiste desenhos legais. Mas é só uma criança. Que eu educo com mão de ferro, dou toda a atenção do mundo e espero que na escolinha seja tão bem cuidado quanto em casa. Não me importo que as crianças se estapeiem num dia, são crianças. Não me importo que role no chão e volte imundo pra casa e sei muito bem que ele também apronta as dele. Mas eu acho que as escolas confundem educar com tomar conta, e essas duas coisas são tão diferentes...

5 comentários:

ameixa seca 27.1.10  

O problema é que a maioria dos pais não pensa como tu. E as professoras estão habituadas aos pais que não exigem muito da educação, os pais olham para a escolinha como um depósito de filhos. A verdade é que a educação começa em casa mas muitas crianças não a têm em casa e a escola deve fazer o seguimento ou reforçar a educação que é dada em casa. No fundo, deveria dar bons exemplos mas ninguém está para se chatear, né?

kombi 27.1.10  

ora ai está uma mãe que pensa como eu, mas sabes que já fui apelidada de má mãe pois dizem que protejo demais as minhas filhas, o facto de serem educadas de não baterem nem fazerem briga preferem desligar das crianças que se portam mal, de terem ficado comigo até aos 5 anos ( aqui em Portugal entram prá ecolinha aos 5 anos se houver vaga mas aqui iniciam com a pré-primária que os prepara para iniciar a escolinha aos 6 anos ).

na escola da minha filha mais nova de 6 anos que iniciou a escolinha aos 5 anos e que por ser uma criança calma colocam as crianças mal comportadas junto dela, ele não liga para eles, mas ás vezes vem com queixas que eles não a deixam tomar atenção na aula, ou que riscam o caderno dela.
nós mães temos que ter um grande "estomago", reclamar não adianta pelo menos comigo não adiantou.

Aqui na Cozinha 27.1.10  

Adorei seu blog e já estou seguindo.
Beijos
Patty Martins

Lívia 2.2.10  

Querida, a cada dia te admiro mais. :-)

Fernanda 22.4.10  

Querida amiga, sou formada em Pedagogia, tenho Pos Graduação em Desenvolvimento Infantil e Psicopedagogia e...
Muitas vezes me pego discordando da maioria, das teorias, as vezes penso... será que estou no lugar errado???
Acho que não, mas muitas vezes me decepciono com o que vejo, passei pelo mesmo drama a pouco tempo, tu sabe, me conhece a anos, conhece minha filhinha de três anos. Nos mudamos para cá a pouco, morávamos em uma chácara e a escolinha onde minha filha estudava era grande, mas nao haviam muuuitas crianças, tive dificuldades, moramos aqui e uma casa com pouco pátio, e as escolinhas??? Ah as escolinhas, fui em muitas mas a Malu ficava apavorada com aquela agitação, muitas crianças, muitos compromissos.
Encontrei uma escola pequena de uma antiga colega de faculdade que sempre admirei por seu amor a educação infantil, a escola é pequena com poucos recursos mas com muito amor... e sabe para mim ver minha filha chegando todos os dias eufórica contando o que fez na escola, não querendo faltar um dia sequer, é muito bom.
Não tenho queixa alguma da escola pelo contrário fico feliz que minha filha de três anos possa brincar se sujar e não fique lá na escola tendo aulas de inglês, alemão, espanhol...
Criança precisa brincar e ser feliz e ter saúde, e só o que quero da escola é isso, que quando eu vá buscar minha filha no final da tarde, ela esteja feliz. O resto... TEM MUITO TEMPO PARA ACONTECER.

BJOS AMIGA, TE AMO

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